Ações Essenciais de Um Líder

Adaptado à European Law Students’ Association por José Pouzada, Presidente da ELSA Portugal 2017/2018

Há milhares de versões sobre os ingredientes necessários para a liderança. Nós pensamos que a melhor abordagem é simplesmente dar uma pequena definição e descrever as 5 características essenciais.

Definição

Consistentemente alcançar resultados além das expectativas criando um ambiente em que outros possam brilhar.

Utilizar a definição

A definição pode ser aplicada a qualquer líder, em qualquer nível da organização. Não tem necessariamente de ser o Presidente. O Líder surge diariamente nas mais diversas situações, e, em princípio, qualquer pessoa na equipa pode tomar esta iniciativa. No entanto, é no Presidente que cai esta responsabilidade, não só por estar munido das ferramentas necessárias mas porque para gerir a direção eficazmente é preciso saber lidera-la.

No entanto, seguidamente os restantes membros da direção deverão ser capazes de liderar as suas próprias equipas.

Ações-Chave para conseguir Liderar

  1. Construir Confiança
  2. Demonstrar Coragem
  3. Desafiar Convicções e Limites
  4. Focar os esforços
  5. Comunicar eficazmente.

1) Construir Confiança

A confiança não se adquire, conquista-se. Se a tua equipa não confiar em ti, não serão capazes de dar 100% para completar os seus objetivos, porque uma parte da sua energia vai ser utilizada a protegerem-se do que consideram ser as tuas intenções.

Uma das melhores maneiras de um líder construir confiança na ELSA é levar os valores da organização a sério, e pautar as suas atitudes com eles. Muitos dos valores são conceitos abstratos e por isso um líder deve mostrar (em palavras e ações) o que eles significam. Uma bom teste é saber se o líder é honesto sobre os seus próprios erros. Um Líder que é capaz de reconhecer que agiu mal e pede desculpa por isso vai ganhar o respeito dos seus pares.

A confiança é bilateral

Um líder precisa de mostrar confiança nos membros da sua equipa – por exemplo, delegando um bocado além daquilo em que estão completamente confiantes que conseguem fazer.

Os membros da equipa também precisam de mostrar que têm confiança no seu líder.

Cada membro na tua equipa é uma pessoa única, com aspirações, gostos e motivações diferentes. O grande desafio (e privilégio) da liderança está em ficar a conhecer cada pessoa como esse todo.

  • Quando não existe confiança, partilhar o conhecimento e aprender torna-se uma tarefa impossivel. As pessoas irão naturalmente continuar a trabalhar individualmente num ambiente em que a confiança na equipa é baixa. O verdadeiro potencial para desenvolver o conhecimento e a aprendizagem manifesta-se só no TRABALHO DE EQUIPA e na PARTILHA DE INFORMAÇÃO.

Fontes: Warren Bennis, On Becoming a LeaderArrow Business Books, Sally Dyson, COVER charity, Cass alumna.

2) Demonstrar Coragem

Ser carismático é muitas vezes visto como um componente vital da liderança. No entanto, não é realista experar que cada líder tem uma personalidade magnética como a de Nelson Mandela ou Winston Churchill. O que é verdadeiramente vital é que um líder tenha coragem, e isso está no poder imediato de cada um de nós.

Ações firmes

Uma oportunidade clara para isto é quando o líder começa a trabalhar com a equipa. Muitas vezes um dos membros da equipa terá se safado previamente com trabalho insatisfatório, ou criando mal-estar entre os membros da organização. Um líder deve ser capaz de mostrar que certas atitudes não podem ser toleradas.

Isto não significa humilhar ou mesmo criticar individualmente, à primeira oportunidade, um membro da equipa em frente a todos. É antes reconhecer atitudes perigosas e ajudar a pessoa que as tomou a compreender como estão a prejudicar a sua organização (e por extensão, elas próprias). Isto é uma tarefa difícil que envolve reconhecer as nossas próprias falhas e ouvir o que a outra pessoa tem para dizer. Um Líder tem de ser capaz de por o seu ego de parte e trabalhar com a pessoa que está a causar o problema para o conseguir resolver.

Um Líder também tem de estar preparado para defender sempre a sua equipa se os vê a serem tratados injustamente por outras partes da organização.

Tomar decisões impopulares

A Liderança não é um concurso de popularidade e certamente existirão alturas em que uma decisão não será popular mas estará nos melhores interesses da organização a longo-prazo.

Um líder tem que ser capaz de ouvir todos os argumentos e pesá-los, além das sua própria opinião inicial. Ainda que as decisões essenciais sejam sempre tomadas em direção, compete ao Líder apresentar todos os caminhos e os diversos argumentos, mesmo os que não concorda. Compete também ao Líder ser uma peça chave na execução dessas decisões e garantir que a equipa faz o trabalho a que se comprometeu, mesmo nas alturas difíceis.

Aqui é muito importante o conhecimento dos membros individuais da equipa para saber como melhorar os motivar.

3) Desafiar convicções e limites

Parte do trabalho de um líder é criar uma cultura de trabalho em equipa, mas isso não significa criar uma bolha de conforto sem qualquer desafio ou dificuldade. Ao longo do tempo um líder eleva de forma constante a fasquia.

Isto não significa pressionar infinitamente a obter melhores resultados, antes permitir que as pessoas formem os seus próprios objetivos e motiva-los a conquistarem-nos. “Tu consegues, eu tenho confiança em ti!” É simples e cliché mas é capaz de mover montanhas. É uma função essencial ser capaz de empurrar estrategicamente os nossos limites para a organização poder crescer.

Ainda que as reuniões sejam caracterizadas por debates intensivos, com diferentes pontos de vista em conflito, no final toda a gente tem que dar o seu firme compromisso a executar a decisão tomada – caso contrário será uma discussão sem fim.

  • A divergência deve ser tratada abertamente para que a confiança mútua possa florescer. Sem a discussão, o debate e encorajamento devidos, as pessoas tem tendência a evitar discussões difíceis mas que são vitais para a associação – e esses tópicos transformam-se lentamente em ressentimentos escondidos.

4) Focar os esforços

No ambiente hiper-ativo dos dias de hoje é muito fácil uma pessoa perder de vista as suas prioridades; Um sintoma a observar é ver pessoas a lidar constantemente com o urgente e a adiar sempre o importante. I

Prioridades

Uma das maiores contribuições que um líder pode fazer é focar os membros da sua equipa num pequeno número de prioridades principais.

Visão

Um líder tem que elevar a visão dos membros da sua equipa além das tarefas atuais e visualizar um destino realístico mas que motive todos a alcança-lo.

Envolver os membros da tua equipa no processo de visionar o futuro da organização fará com que a sua motivação seja ainda mais forte. Em vez de um hobby pessoal será um objetivo que vale a pena prosseguir energéticamente.

O verdadeiro teste da capacidade de liderança está quando uma crise se forma.

Terás que demonstrar que és capaz de ver isto em perspetiva e mostrar a tua capacidade resistência. Deves demonstrar confiança e compromisso inabalável em tudo aquilo a que tu propões fazer.

5) Comunicar eficazmente

Há mais métodos de comunicação eficaz disponíveis hoje do que em qualquer outra altura.

É particularmente fácil diversificar demasiado em métodos tecnológicos, mas um bom líder deve focar-se em poucas plataformas depois de pesar bem os seus prós e contras. Por exemplo: Emails são óptimas formas de enviar mensagens simples e diretas mas podem fácilmente ficar submersos em outros assuntos, e é preciso cuidado para que o tom da escrita não seja demasiado bruto. It is.

As três dimensões da comunicação na ELSA

Não te esqueças que na ELSA a comunicação tem sempre três níveis. O primeiro que é a comunicação horizontal, com o resto da tua direção. O segundo, que é comunicação vertical com o nível que estás a direccionar (os associados, diretores e grupos locais). O terceiro que é também comunicação vertical, mas desta vez com o nível que te direcciona (Grupo Nacional ou Grupo Internacional).

Ouvir

Comunicar é saber ouvir na mesma medida que se sabe falar. Se ouvires com frequência e atenção os membros da tua equipa vai ser muito mais fácil adaptares correctamente o teu estilo de liderança, reduzindo frustrações e aumentando o moral da equipa.

Reuniões

As reuniões podem apoderar-se de uma valiosa parte do teu tempo. Como Presidente e Líder é a tua responsabilidade garantir que não desperdiçam esse tempo com coisas irrelevantes. Assim deves garantir que:

  • Têm uma ordem de trabalhos preparada com antecedência, e com tempo devido para cada tópico;
  • Que cumprem essa ordem de trabalhos;
  • As atas devem ser apresentas até 48 horas depois, para que toda a gente as possa reler;
  • Pode não ser preciso ter toda a gente em todas as reuniões – Considera a diferença entre reuniões de deliberação e reuniões de colaboração:
    • A primeira é para tomar decisões e todos devem estar presentes.
    • A segunda é para trabalharem em possíveis soluções e na execução das decisões. Aqui pode ser mais eficiente ter apenas 2 ou 3 pessoas responsáveis que depois apresentam as suas conclusões na próxima reunião de deliberação.

Decisões e mudança

Quando estão a tomar uma decisão um Líder deve garantir que vêm todas as soluções possíveis e tomam a decisão mais inteligente. Isto é mais eficazmente feito com vários métodos diferentes de comunicar as alternativas. O “porquê” é muitas vezes mais importante do que o “o quê”.

Acima de tudo não te esqueças que as decisões devem ser tomadas pela direção e que te compete liderar a equipa mesmo na implementação de decisões com as quais concordas – ou no limite, atribuir a responsabilidade de liderar nessa execução a outro membro da Direção.

Liderar não é obrigar. Deves ser capaz de mostrar o caminho e persuadir as pessoas a seguirem a melhor opção, mas não deves forçar a tua equipa a tomar uma determinada decisão.

Visto que os desafios vão puxar as pessoas além da soa zona de conforto tem que existir também apoio balançado da tua parte. Se conheceres cada membro da tua equipa como individuo que são, serás capaz de perceber os seus limites e como deves ajuda-lo a responder aos problemas que encontrar.